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Falácias dos Slogans Pró-aborto 13 - As cadeias são pequenas |
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Um outro slogan diz o seguinte: "Não há
possibilidade de prender todas as mulheres (sejam 18000, 20000, etc.)
que abortam ilegalmente. Por isso, na prática, o aborto já
está legalizado mas sem condições, sem regras, sem
controle." 1. Pode-se aplicar a qualquer crime que seja praticado
por mais de 20000 pessoas. Logo à cabeça, a fuga ao fisco
passaria a ser legal. Motins, pilhagens, cortes de estradas, tudo seria
legal desde que houvesse mais de 20000 pessoas a colaborar nisso. 2. Os defensores do direito à vida dizem que
o aborto é inaceitável e por isso não pode ser legalizado.
O slogan acima citado deixa intacto a inaceitabilidade do aborto e limita-se
a defender o crime com razões de ordem prática. Mas a questão
da aceitabilidade do aborto é uma questão prévia
e incontornável. Portanto, este slogan limita-se, à semelhança
de outros, a confundir conveniência com legitimidade. No máximo,
o slogan só mostraria que para o sistema penal é conveniente
legalizar o aborto. Não prova que o aborto é uma prática
legítima e aceitável. 3. Mas a legalização nem sequer é
conveniente. A legalidade do aborto retira, a qualquer mulher que esteja
a ser pressionada para abortar, o argumento definitivo: "eu não
vou abortar porque isso é crime e dá cadeia". Ou seja,
para "resolver" a situação das mulheres que abortam
clandestinamente, complica-se a vida das mulheres que nunca abortariam
no caso do aborto ser ilegal. Isto é, colocam-se estas mulheres
à mercê de maridos, namorados, pais e patrões. Depois
de legalizado o aborto a mulher fica sem defesa perante uma chantagem
afetiva ou laboral. A mulher por um lado quer manter o companheiro ou
emprego, mas por outro ele (companheiro ou patrão) diz que a abandona
se ela não abortar (e abortar agora é "legal",
é "seguro", é fácil, etc.). Se ela não
abortar é abandonada e não pode ir a tribunal para que este
force o namorado a voltar (ou o patrão a empregá-la). Se
aborta, nem é despedida nem fica sem o companheiro pelo que não
o vai levar a tribunal, a não ser que queira destruir a relação
e, nesse caso, de nada valeu abortar o filho. Aqui é que se poderá
dizer com toda a propriedade: "Não há possibilidade
de prender todos aqueles que obrigam as mulheres a abortar. Por isso,
na prática, o aborto compulsivo já está legalizado
mas sem condições, sem regras, sem controle." 4. Dir-se-ia que se o aborto é inaceitável,
se o aborto é crime, e se o aborto na prática está
legalizado, o que há é uma demissão do Estado que
renuncia a exercer a autoridade e renuncia a fazer cumprir as suas leis.
Mas a solução para isto não é legalizar o
aborto: seria reconduzir o Estado às suas obrigações.
Afinal, não será o aborto uma questão de saúde
pública? Não se alega que o aborto clandestino é
a primeira causa de morte numa classe da população? Não
são os abortos clandestinos exercício não autorizado
da medicina? Que faz o Estado perante tudo isto? Porque não se
exige a verificação do cumprimento da lei, em vez de gastar
os recursos do Estado nos hospitais públicos em abortos que não
se conseguem justificar a não ser por uma razão de ordem
prática? Afinal, se o Estado se demite de fazer cumprir a lei,
porque se criam mecanismos para obrigar o Estado a facilitar abortos inaceitáveis?
O que consome mais recursos ao Estado: apertar a perseguição
aos sórdidos abortadores de vão-de-escada ou fornecer abortos
a quem quiser? E ainda que esta solução seja mais barata,
o que deve fazer um Estado: o que é justo ou o que é mais
barato? E, recorde-se, o slogan citado deixa a injustiça do aborto
perfeitamente intacta. 5. Se a sociedade no século passado tivesse
aceitado a "doutrina" proposta pelo slogan, ainda hoje havia
escravatura. Proprietários de escravos eram muito mais de 20000;
não havia possibilidade de prender todos os proprietários
e, muito pior, os proprietários arriscavam a falência no
caso de libertarem os escravos. Poderia sobrevir uma crise econômica
verdadeiramente catastrófica. As razões de conveniência
e as justificações de ordem prática para a escravatura
eram mais que muitas. O problema, é que a escravatura não
é legítima. 6. O slogan citado permite defender qualquer tipo
de aborto. Se houver abortos clandestinos aos sete meses ou nove, poder-se-á
dizer que "Não há possibilidade de prender todas as
mulheres que abortam ilegalmente. Por isso, na prática, o aborto
já está legalizado mas sem condições, sem
regras, sem controle." E venha o aborto até aos sete meses,
oito, nove... |
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