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Falácias dos Slogans Pró-aborto 9 - Impor a moralidade |
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Outro slogan vulgar postula o seguinte: "Proibir
o aborto é legislar moralidade. Pessoalmente sou contra o aborto,
mas não posso impor as minhas convicções morais aos
outros". E o slogan companheiro deste é assim: "Nosso
país é um Estado laico, há separação
entre a Igreja e o Estado. Logo não se pode legislar moralidade,
ou fazer leis de base religiosa". 1. "Proibir a escravatura é legislar moralidade.
Pessoalmente sou contra a escravatura, mas não posso impor as minhas
convicções morais aos outros". "A Igreja proíbe
a escravatura. Como nosso paísé um estado laico não
se podem fazer leis de base religiosa. O Estado não pode proibir
a escravatura sob pena de estar a violar a separação de
poderes". 2. "Proibir o infanticídio é legislar
moralidade. Pessoalmente sou contra o infanticídio, mas não
posso impor as minhas convicções morais aos outros".
"A Igreja proíbe o infanticídio. Como Portugal é
um estado laico não se podem fazer leis de base religiosa. O Estado
não pode proibir a infanticídio sob pena de estar a violar
a separação de poderes". 3. "Proibir a violação é
legislar moralidade. Pessoalmente sou contra a violação,
mas não posso impor as minhas convicções morais aos
outros". "A Igreja proíbe a violação. Como
nosso país é um estado laico não se podem fazer leis
de base religiosa. O Estado não pode proibir a violação
sob pena de estar a ferir a separação de poderes".
4. "Legalizar o aborto é impor a moralidade
de alguns aos outros. Pessoalmente sou a favor da legalização,
mas não posso impor a minha moralidade aos outros." "Como
nosso país é um estado laico, só podem existir leis
de base ateia". 5. Como se vê estes slogans valem nada. Todos
eles ignoram que o fundamental de uma lei é saber se é justa
ou não. A proibição de matar é uma lei justa
ou uma imposição moral? A proibição de roubar
é uma lei justa ou uma ofensa à separação
de poderes? 7. Por trás deste slogan está uma cascata
de preconceitos. A saber, a)moralidade é religião; b)todas
as religiões são iguais; logo, c) todas as morais são
iguais. Mas se tudo isto é verdade, que base existe para punir
o seguidor de um culto satânico que faz sacrifícios humanos?
8. Não se pode dizer que, por exemplo, se os
africanos são contra o racismo, então toda a pessoa que
luta contra o racismo é africana. Do mesmo modo, não se
pode dizer que se as religiões têm sistemas morais, toda
a moral é religião. 9. Basta que uma religião proíba um
determinado ato, para que os Estados fiquem proibidos de o proibir, sob
pena de estarem a violar a separação entre Igreja e Estado?
Será preciso que a Igreja aprove o homicídio para que o
Estado o possa proibir? Ao proibir o homicídio, Igreja e Estado
fazem a sua obrigação. Ao permitir o aborto, o Estado foge
à sua obrigação. 10. Além do mais, a proibição
do aborto é uma questão moral muito sui generis. Concordam
na proibição do aborto pessoas que devem estar de acordo
em muitas poucas questões mais. Seguem-se algumas pessoas de primeiro
plano, dentro dos grupos a que pertencem, e que defendem a proibição
do aborto: Metodistas: Paul Ramsey,
Stanley Haverwas, Albert Outler, Donald Wildmon; 11. Na questão do aborto não está
em causa saber qual a fonte, a origem ou a legitimidade para fazer leis.
O Estado já faz leis. O que interessa saber é porque se
julga o Estado com legitimidade para proibir o infanticídio e não
se julga com legitimidade para proibir o aborto. Por que não é
a proibição do infanticídio uma imposição
da moralidade enquanto o aborto o é? Será pelo fato das
vítimas serem essencialmente diferentes? Mas onde está a
diferença? 12. Ainda que tudo isto fosse falso, o resultado é que o slogan referido permite defender o aborto até aos nove meses posto que não há nada nele que impeça a legalização do aborto em qualquer ponto da gravidez. Logo, ou o slogan está errado ou aceitamos o aborto até aos nove meses. |
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