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Falácias dos Slogans Pró-aborto

20 - Aborto e maus tratos

"Eu defendo o aborto porque estou farto(a) de ver crianças abandonadas, maltratadas, a viver na miséria mais absoluta, na droga e na prostituição. Se todas as crianças fossem planejadas e desejadas, nada disto aconteceria e as próprias crianças seriam muito mais felizes."

Sobre isso, diga-se o seguinte:

Infanticídio
Se a vida destas crianças abandonadas incomoda tanto as pessoas, porque não se defende o infanticídio? Se o remédio para resolver o problema dos maus-tratos é matar as crianças, então seria mais lógico matar as crianças quando já são maltratadas em vez de as matar quando só se suspeita que poderão vir a ser maltratadas. Ou não será assim?
Certamente o leitor dirá que há uma grande diferença entre matar uma criança e um aborto. Mas qual é a diferença? Ambos são seres humanos pelo que é preciso identificar algo que os distinga de tal forma que uma (a nascida) tenha direito à vida, mesmo que sujeita às piores torturas, enquanto outra (a por nascer) não tem esse direito. Que diferença é essa? Bom, para responder a isto começamos pelas linhas de separação, passamos ao não se sabe, depois ao gradualismo para acabar no funcionalismo e infanticídio. Ou seja, no final haveria sempre de se apurar que o infanticídio é a solução para os maus-tratos.

Legitimidade e Conveniência
O "argumento" inicial confunde, uma vez mais, conveniência com legitimidade. É da máxima conveniência acabar com o horror dos maus-tratos, com as crianças abandonadas, etc., tal como é da máxima conveniência acabar com o desemprego. Simplesmente, o fato de ser conveniente não torna qualquer meio legítimo em nenhum dos casos. Se matarmos todos os desempregados, é possível que o desemprego acabe. Da mesma forma, é possível que se matarmos todas as crianças indesejadas os maus-tratos acabem. Contudo, o fato do fim ser bom (acabar com o desemprego, acabar com os maus-tratos) não torna o meio usado aceitável, porque ninguém tem legitimidade para decretar a morte de seres humanos inocentes e indefesos.

Questões Práticas
Legalizar o aborto para, alegadamente, acabar com os maus-tratos coloca problemas de ordem prática insuperáveis. Qualquer mulher que quisesse abortar teria, simplesmente, de dizer que caso não a deixassem abortar haveria de maltratar o filho. E dizer isto seria simples pró-forma no caminho para o aborto a pedido. Mas se alguém concorda com o aborto a pedido, então porque o defende com os maus-tratos? Porque não diz, simplesmente, que o aborto deve ser livre em qualquer caso e por qualquer razão?

Alguns Estudos
Mas toda esta discussão é um pouco fútil porque a verdade sobre a relação entre maus-tratos e aborto é muito diversa da que se julga:


1. O Dr. Philip Ney, professor de Psiquiatria da Universidade de British Columbia, publicou um estudo onde estabelecia claramente que o aborto -e a aceitação da violência que ele implica- levou a que tenha diminuído em muito a resistência psíquica, dos pais, à tentação de maltratar ou abusar dos filhos nascidos.
(P. Ney, "Relationship Between Abortion & Child Abuse," Canada Jour. Psychiatry, vol. 24, 1979, pp. 610-620)

2. O Professor Edward Lenoski estudou 674 casos de crianças maltratadas que tiveram de receber tratamento hospitalar. Para sua própria surpresa descobriu que 91% das crianças tinham sido planeadas e desejadas. Em média, nos EUA, só 63% das crianças são planeadas e desejadas. As mães começaram a usar roupa de grávida, em média, no dia 114, enquanto que a média nacional é 171; finalmente, 24% dos pais colocaram ao filho o seu nome enquanto a média nacional é de 4%.
(E. Lenoski, Heartbeat, vol. 3, no. 4, Dec. 1980)

3. "Depois da legalização do aborto nos EUA, enquanto a taxa de homicídios aumentou 39%, a taxa de infanticídios (crianças de um até quatro anos) aumentou 73%."
(Gus J. Sltman, M.D., University of Medicine and Dentistry of New Jersey, Robert Wood Johnson Medical School at Camden, letter to the editor, JAMA 269:2033, 10/21/92.)

4. "Desde que há aborto a pedido, o numero de crianças sujeitas a maus tratos tem aumentado continuamente"
(Philip G. Ney, M.D., "Is elective abortion a cause of child abuse?" Sexual Medicine Today, June 1980)

5. "Os defensores do aborto a pedido argumentam dizendo que todas as crianças devem ser desejadas -every child a wanted child-. Contudo, há razões para crer que o aborto a pedido não só não resolveu o problema das crianças indesejadas, negligenciadas ou maltratadas, como piorou o problema."
(Philip Ney, M.D., "Relationship between abortion and child abuse," Canadian Journal of Psychiatry 24:610, 1979)

6. Na cidade de Aberdeen, na seqüência de uma bizarria jurídica, o aborto foi legalizado 12 anos antes de ocorrer a legalização em todo o Reino Unido. Portanto, a cidade de Aberdeen deveria ter a menor taxa de crianças não desejadas e conseqüentemente a taxa mais baixa de maus tratos. Curiosamente, Aberdeen tinha, no Reino Unido, a mais alta taxa de crianças abandonadas, maltratadas e negligenciadas.
(Annual Report, Chief Medical Health Officer, Aberdeen, Scotland, 1972)

7. No Japão existe aborto a pedido há mais de 35 anos. Seria de supor que todas as crianças fossem desejadas e bem tratadas. Contudo, "o numero de infanticídios tem aumentado tanto que as assistentes sociais tiveram que fazer um apelo às mães japonesas, na televisão e nos jornais, para que não matassem os seus filhos."
(The Sunday Times, June 23, 1974)

8. "Mais de um milhão de crianças, em 48 Estados, foram vitimas de maus tratos e de negligência em 1994. Isto representou um aumento de 27% em quatro anos."
(Child Maltreatment 1994: Reports from the States to the National Center on Child Abuse and Neglect)

9. "As crianças deficientes ou retardadas não são mais vítimas de maus tratos que as crianças normais".
(Lynch and Roberts, "Predicting child abuse: Signs of bonding failure in the maternity hospital," British Medical Journal 1:624, 1977)

10. "A esmagadora maioria das gravidezes não planeadas originam crianças desejadas".
(Royal College of Obstetricians and Gynecologists of England.)

11. Parece que não restam duvidas: a legalização do aborto leva ao abuso, aos maus tratos e à negligencia das crianças, pelo que, para acabar com todos estes horrores é preciso acabar com o horror supremo, o abuso máximo, o extremo mau trato: o aborto!

12. A escravatura foi sempre muito polêmica. Depois de discussões infindáveis chegou-se à conclusão que tudo se resumia nesta questão: o que é que distingue um preto de um branco para que o primeiro possa ser escravizado e o segundo não? Ninguém conseguiu responder a esta pergunta e isso bastaria para a escravatura não ter base lógica. Nos EUA, o problema foi resolvido por uma votação do Supremo Tribunal de Justiça: por 7 votos contra 2 ficou estabelecido que os pretos não eram pessoas e por isso podiam ser escravizados. O resultado é conhecido: uma Guerra Civil e duas emendas à Constituição.

13.O aborto foi sempre muito polêmico. Depois de discussões infindáveis chegou-se à conclusão que tudo se resume nesta questão: o que distingue um bebê por nascer do bebê nascido para que o primeiro possa ser torturado e morto e o segundo não? Ninguém conseguiu responder a esta pergunta e isso basta para que o aborto não tenha base lógica. Nos EUA, o problema foi resolvido por uma votação do Supremo Tribunal de Justiça: por, uma vez mais, 7 votos contra 2, ficou estabelecido que o bebê antes de nascer não é pessoa e por isso pode ser morto. Convinha que os defensores do aborto fossem razoáveis. Se defendiam o aborto para acabar com os maus tratos, devem ter a honestidade de combater o aborto quando se prova que este leva aos maus tratos!

14. Se não se consegue distinguir o bebê não nascido daquele que já nasceu, não há base lógica para, simultaneamente, defender o aborto e rejeitar o infanticídio. Assim, ou se rejeita a teoria do aborto para prevenir a miséria, ou matam-se as crianças miseráveis e defende-se o massacre da Candelária.

15.Não é muito mais justo defender a morte daqueles que já são miseráveis e mal tratados, do que defender a morte daqueles que poderão eventualmente vir a ser miseráveis e mal tratados?


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