Portal da Família
|
|||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||
|
Falácias dos Slogans Pró-aborto 19 - Aborto Clandestino |
|
|
Segundo outro slogan pró-aborto muito vulgar,
é necessário legalizar o aborto para acabar com o aborto
clandestino e as mortes que este causa. Normalmente, os defensores do
aborto acrescentam ainda que a mulher que quer abortar vai sempre fazê-lo,
quer seja legal quer seja ilegal, pelo que a ilegalização
é condenar a mulher a uma operação sem condições
e, eventualmente, à morte. Sobre isto diga-se o seguinte: 1. Quando se faz uma lei deve-se ter em conta o que
é justo ou antes a conveniência dos que infringem a lei? a) Uma situação muito próxima
da situação do aborto clandestino era a daqueles jovens
suicidas espanhóis que entravam nas auto-estradas fora de mão.
Quando o faziam era certo para eles que arriscavam a vida nisso. Se levássemos
a argumentação pró-aborto a este caso, o Governo
espanhol deveria autorizá-los a circular em carros blindados para
que do seu ato só resultasse dano para terceiros. A mulher que
aborta sabe (ou deveria saber) que arrisca a vida nisso e compromete de
forma grave a sua saúde. Da mesma forma os jovens suicidas sabiam
que a sua prática colocava em risco a sua vida. Podemos discutir
se o Governo pode impedir uma pessoa de se suicidar. Agora, nunca poderemos
discutir a obrigação que o Governo tem de proteger a vida
de seres humanos inocentes. As pessoas que seguiam na auto-estrada, na
sua mão, têm todo o direito a toda a proteção
do Governo. Não podem ser os riscos que o infrator aceita consciente
e voluntariamente, a determinar a lei. b) Um criminoso que se envolve em tiroteio com a polícia
sabe que arrisca a vida nisso. Levando para este campo a "argumentação"
pró-aborto, teríamos de raciocinar assim: o criminoso coloca
a sua vida em perigo porque determinado ato é crime; logo, deveríamos
descriminalizar o ato para que o criminoso não tenha a vida em
perigo. Mas um ladrão que entra em tiroteio com a polícia
sabe que um dos resultados poderá ser a morte. Se o seu crime pudesse
ser legalizado, seria legalizado por isso mesmo, e não por haver
o perigo de morrer alguém. Do mesmo modo, a mulher que aborta sabe
que um dos resultados poderá ser a morte. Se o aborto pudesse ser
legalizado, seria legalizado por poder ser legalizado e não pelo
efeito nocivo que tem. Se, por outro lado, o aborto não pode ser
legalizado, como podemos legalizá-lo? c) Analogamente, os ajustes de contas no seio da Máfia
põem em risco a vida de quem os perpetra. Isso, porém, não
é motivo para que o Governo italiano proteja a vida do atacante
de forma a que possa matar sem perigo. O que se passa é que o Governo
italiano não pode aceitar assassínios, ajustes de contas,
tiroteios, e execuções sumárias no meio da rua. Este
é que é o ponto fundamental. Se um mafioso é morto
quando tenta matar outro, de forma alguma pode resultar daí que
o Estado italiano tem de proteger o agressor para que mate a vítima
sem perigo. d) Se se aceitar que mãe e filho são
seres humanos com os mesmos direitos, todas as analogias acima são
justas e mostram que o "argumento" do aborto clandestino não
tem qualquer fundamento. Contudo, todas estas analogias podem ser invalidadas
provando que o bebê antes de nascer (ou antes das 20 semanas, ou
das 12, ou das 10, etc.) não é pessoa com os mesmos direitos
da mãe. Ou seja, podem os defensores do aborto dizer que nos casos
acima referidos está em causa um conflito entre seres com direitos
iguais, enquanto que no aborto estão em causa direitos incomparáveis.
Mas onde está a prova dessa separação se todas as
tentativas que se fizeram nesse sentido (linhas de desenvolvimento, gradualismo,
não se sabe, funcionalismo) não chegaram sequer a convencer
os próprios defensores do aborto?!? e) Em suma, o ponto fundamental é saber se
o aborto é aceitável ou não. Se é aceitável,
a sua legalização resulta do fato de ele ser aceitável:
não do fato de ser perigoso. E se o aborto é inaceitável,
como podemos aceitá-lo? 2. Aplicando a outras situações o mesmo
"princípio" que se quer aplicar ao aborto, temos os absurdos
seguintes: a) É preciso legalizar o trabalho infantil
uma vez que a sua criminalização torna-o clandestino e por
isso feito sem nenhumas condições. A verdade é que
quer seja legal quer seja ilegal o trabalho infantil vai continuar. A
mulher que tem dez filhos, o mais velho com dez anos, casada com um alcoólico,
que foi despedida por estar grávida, vai mandar os seus filhos
trabalhar sob pena de morrer de fome. Ao proibir o trabalho infantil,
estamos a obrigar aquela mulher a morrer de fome ou a condenar os seus
filhos a um trabalho sem regalias, sem direitos, sem condições,
etc.. b) É preciso legalizar a violação
porque quer ela seja legal quer seja ilegal vai continuar a fazer-se.
O fato de ser ilegal só faz com que ela decorra sem nenhumas condições,
sujeitando o violador a ser contagiado com doenças, inclusive mortais.
Além do mais o violador, que não tem por que ser assassino,
acaba muitas vezes a matar a vítima só para não ser
denunciado e reconhecido. Tudo isto se evitaria se a violação
fosse legal. Bastaria criar nos hospitais salas de violações
onde um violador se dirigia com a sua vítima debaixo do braço;
aí poderiam ser feitos exames médicos para ver se há
perigo de contágio, poderiam ser dados contraceptivos à
vítima para que não engravidasse, e depois poder-lhe-ia
ser dado apoio médico e psicológico para superar o trauma. Tudo isto o impressiona? Então porque lhe parece
normal que nos hospitais haja salas de aborto onde o agressor se dirige
com a vítima, onde um médico corta a vítima às
fatias, a sangue-frio, e depois dá apoio psicológico e médico
ao mandante? c) É preciso legalizar a pedofilia. De fato,
quer esta seja legal quer seja ilegal vai continuar a ser feita. Neste
momento, por ser ilegal, faz-se clandestinamente, sem condições,
acabando por vezes em homicídio. Se fosse legal, os pais poderiam
abusar dos seus próprios filhos em vez de andar a raptar e maltratar
os filhos dos outros, as crianças poderiam ter apoio médico
e psicológico e o próprio pedófilo poderia ser ajudado.
No atual estado, tudo é feito sem condições e acabando
habitualmente da forma mais sangrenta. Todas estas mortes podem ser imputadas
à proibição da pedofilia. d) É preciso legalizar o infanticídio
porque quer este seja legal quer seja ilegal vai continuar a ser feito.
No estado atual a mãe que mata o seu bebê recém-nascido,
tem que dar à luz longe de todos, sozinha, sem assistência,
sujeita a morrer de parto ou das complicações que se lhe
seguem, e ainda tem de carregar a imagem e a memória do seu filho
a morrer sufocado ou de frio, ou a chorar com fome. A adoção
não resolve todos os problemas porque a adoção existe
e não obstante há mulheres a matar os seus filhos. A mulher
é que sabe. Ao Estado cabe dar-lhe condições para
que o bebê possa ser morto em boas condições, rapidamente,
sem dor e sem trauma para a mãe. e) É preciso legalizar o aborto depois das
dez semanas porque quer ele seja legal quer seja ilegal a mulher que quer
abortar aborta mesmo. Sendo crime, a mulher vai abortar clandestinamente,
sem condições, arriscando a sua vida num aborto muitíssimo
mais perigoso que os abortos até às dez semanas. f) Toda esta argumentação por absurdo
pode ser invalidada dizendo que no trabalho infantil, na violação,
na pedofilia, no infanticídio e no aborto depois das doze semanas
(?) temos um ser humano pessoa que por isso já tem os direitos
das pessoas. Portanto, a quem quiser invalidar estes absurdos, cabe provar
que o aborto até às dez semanas só mata seres humanos
que não são pessoas. Comece pois pelas linhas de desenvolvimento,
passe ao não se sabe, ao gradualismo, ao funcionalismo e ao infanticídio.
E por fim, o leitor haveria de concluir que a forma de justificar o aborto
até às doze semanas é defender o infanticídio.
E se se pode matar um bebê recém-nascido, porque não
o podemos violar? E se podemos violar um recém-nascido, porque
não podemos pôr a trabalhar uma criança de três
ou quatro anos? Venham pois a pedofilia e o trabalho infantil. E se podemos
violar o bebê de dois anos porque não podemos violar o de
quatro, catorze ou quarenta? As salas de violação não
ficam pois muito longe. 3. O "argumento" do aborto clandestino,
bem como todos os "argumentos" a favor do trabalho infantil,
violação, pedofilia e infanticídio, confunde conveniência
com legitimidade. Como é óbvio, seria muito conveniente
acabar com a morte das mulheres que recorrem ao aborto clandestino (acabar
com violações, trabalho infantil, etc), da mesma forma que
seria muito conveniente acabar com o desemprego. Mas matar todos os desempregados
não é uma solução legítima. Matar todos
os desempregados seria conveniente para diminuir as despesas do Estado
mas é algo que ninguém tem legitimidade para fazer. Do mesmo modo, se todos os pressupostos do aborto
clandestino fossem verdadeiros (a saber, a legalização acaba
com o aborto clandestino e com as mortes), ainda assim só estaria
provada a conveniência da legalização: não
estava provado que alguém tem legitimidade para matar seres humanos
inocentes. Portanto, o "argumento" do aborto clandestino, ao
deixar sem resposta a questão da legitimidade, é inútil.
4. Além do mais o "argumento" do
aborto clandestino falha até na prova da conveniência. O
argumento, implicitamente, afirma o seguinte: "O aborto só é perigoso quando
é feito sem condições de higiene e por pessoal incompetente.
Se o aborto fosse feito em hospitais e por pessoal competente, não
haveria mortes." Ora, o que a afirmação citada sugere
é que o aborto é uma operação com grandes
perigos imediatos e poucos ou nenhuns perigos secundários. Sugere-se,
sem afirmar, que as mortes resultantes do aborto clandestino são
imputáveis à falta de condições e à
falta de habilitações/preparação do abortador.
Contudo, como vimos, o panorama é Exatamente o oposto: o aborto
é uma operação que apresenta poucos perigos imediatos
-perigos que dependem diretamente da habilidade e/ou preparação
do abortador- e que tem riscos secundários muito graves, riscos
que são inerentes ao próprio aborto e que não podem
ser evitados de forma nenhuma. Uma mulher desenvolve cancro da mama, quer
aborte num hospital quer aborte numa cave fétida. Uma mulher sofre
depressões pós-aborto tanto aborte no hospital como na cave
fétida. E sobre isto o "argumento" do aborto clandestino
diz nada. "Outra das conclusões a que se chegou
(no Japão) foi que o aborto legal não é sensivelmente
mais seguro para as mulheres do que o aborto clandestino; um e outro provocam
efeitos nocivos em muitas mulheres que a ele se submetem". António Leite, Scientia Juridica, t. XXII,
nº 122-123, p.390. a) Convém notar que a legalização
do aborto, ao aumentar o número de abortos, aumenta o número
de mulheres que ficam expostas aos perigos inerentes a um aborto. Logo,
ainda que a relação morte/aborto melhore, pode-se dar o
caso de haver mais mulheres a morrer depois da legalização.
Feitas as contas, para legalizar uma prática inaceitável,
invoca-se a morte de três mulheres em abortos clandestinos e faz-se
uma lei que leva à morte de dez, vinte, quarenta ou cem mulheres
em abortos legais num hospital. "O número de mulheres que morrem e sofrem
só das complicações físicas que resultam de
um aborto legal, excede de muito longe o número daquelas que sofreriam
de igual modo no caso do aborto ter permanecido ilegal. Em vez de reduzir
a dor e o sofrimento das mulheres, a legalização do aborto
aumentou-a ao expor ainda mais mulheres aos seus riscos inerentes. A única
diferença é que agora a dor e o sofrimento podem ser assepticamente
ignorados porque o aborto é legal." Aborted Women: Silent No More, David Reardon, 1987,
Crossway Books, Westchester IL. (sublinhados adicionados) b) Nos Estados Unidos da América, antes da
legalização do aborto, a mortalidade estava ao nível
da de países onde o aborto era legal. O que só prova que
o aborto é uma intervenção de poucos perigos imediatos
ou que o aborto nos EUA, antes da legalização, já
era feito em boas condições médicas e por pessoal
competente. O justo é pensar que ambas as hipóteses são
verdadeiras. E é justo observar que ambas as hipóteses reduzem
a nada o "argumento" do aborto clandestino. Para que ele valha
é preciso que o aborto tenha grandes riscos imediatos e que seja
feito por pessoal incompetente. Se nada disto se passa, o "argumento"
vale nada. E talvez valha a pena ouvir quem percebe do assunto: A Dra. Mary Calderone, antiga presidente da Planned
Parenthood, afirmou em 1960 que "90% dos abortos ilegais são
feitos por médicos". M. Calderone, "Illegal Abortion as a Public Health
Problem," Amer. Jour. of Health, vol. 50, July 1960, p. 949 Dr. Guttmacher estimou em mais de 80% o número
de abortos clandestinos feitos por médicos. c) Nos países que têm aborto legal há
mais anos nota-se que o estigma que recai sobre os abortadores não
diminui. "Há uma pressão dos pares para
que médicos não façam abortos; há um estigma
associado ao abortador..." Abortador T. McKay, The Washington Times, Apr 15,
1992. "O aborto é o trabalho sujo da especialidade.
A triste realidade é que as pessoas que se arrastam pelas clínicas
de aborto são médicos de classe B. E estes não se
dedicam aos abortos por entenderem que a causa é nobre. Fazem abortos
porque não conseguem arranjar mais nada." "A maioria dos médicos vê o aborto
como uma operação maldita, feita por médicos sem
outras capacidades e que não conseguem nem sabem fazer mais nada.
Quem se quiser dedicar ao aborto, o máximo que poderá esperar
dos seus colegas é ser tolerado." "Os médicos são condescendentes
com o aborto mas não com o abortador." "Fazer abortos continua a ser algo vergonhoso,
mesmo entre aqueles que defendem o aborto... nós ainda somos vistos
como sujos, mesmo entre os que defendem o aborto conosco". "Os médicos que fazem abortos estão
isolados porque essa prática estabeleceu-se como uma sub-especialidade
dentro da ginecologia... E há também o isolamento social
que se revela quando uma pessoa tem vergonha de dizer o que faz... os
abortadores dão pena". "A maioria dos abortadores são vistos
pelos outros médicos como não sendo capazes de fazer boa
medicina noutras áreas, pelo que fazem abortos por dinheiro." "O aborto, mesmo depois de legalizado continua
a ser visto como o lado negro da medicina: o aborto continua a ser visto
como algo sujo." Num estudo sobre os abortadores pode-se ler o seguinte:
"Eles revelam pensamentos obsessivos sobre o aborto, depressão,
fadiga, raiva, pouca auto-estima... os seus sintomas são semelhantes
à fadiga de combate." M. Such-Baer, professional Staff reaction to Abortion
Work, Social Casewok, July, 1974. The Philadelphia Enquirer, 8.2.81 A conseqüência de todo este estigma é
que, em médio prazo, só se dedicam ao aborto os médicos
medíocres, sem grandes capacidades, aqueles que não conseguem
mais nada... e eventualmente nem esses! Pelo que acabamos muito perto
do que se pretendia evitar. Aborted Women: Silent No More, David Reardon, Chicago,
Loyola University Press, 1987. "A falta de abortadores qualificados é
a maior ameaça que pesa sobre o direito ao aborto." O abortador está normalmente apanhado numa
armadilha. O aborto não pode ser nunca relativamente errado. Ou
é visto como não tendo mal nenhum, ou é visto como
um assassínio. Os abortadores sabem isto. Se abandonarem a prática,
estão a reconhecer perante si próprios que andaram a assassinar
bebês indefesos, posto que ninguém se retiraria de uma prática
muito lucrativa sem razão para isso. Mas a perspectiva de se reconhecer
como um assassino de bebês é algo aterrorizador. Logo, por
incrível que pareça, a única forma de não
ficar maluco é fugir ao problema: fazer abortos hoje para não
ter que enfrentar os de ontem. Sabendo isto, a maioria dos médicos
prefere nunca chegar a entrar neste ciclo medonho. "Eu trabalhei sempre em hospitais. Nunca vi um
médico a cheirar a álcool ou aparecer no hospital descontrolado.
Eu nunca vi tal coisa e trabalhei com centenas de médicos. Mas
tudo isso é o dia-a-dia de um clínica de abortos." M Cruchter, lime 5, Life Dynamics, Denton Texas, p.220. 5. O argumento do aborto clandestino não só
assume, sem base, que o perigo resulta da falta de condições
e da incompetência, assume novamente sem base que depois da legalização
os abortos passarão a ser feitos por médicos competentes,
como sugere ainda que os abortos clandestinos são de fato feitos
por pessoal incompetente e em locais sem condições. a) Que dados fiáveis sobre a situação
portuguesa existem? Concretamente, quantos abortos clandestinos há
? Quantos são feitos em caves fétidas? Será que a
maioria dos abortadores clandestinos são funcionários de
hospitais (médicos, enfermeiros, etc)? Ou será que só
fazem abortos os mais rematados analfabetos porque todas as pessoas que
percebem do assunto preferem ficar fora do negócio?! Quantos abortos
são feitos por médicos em clínicas e hospitais? Quantas
mulheres chegam por dia às urgências dos hospitais com complicações
resultantes da incompetência de um abortador clandestino? Já
viu algum estudo que responda a tudo isto? b) Alega-se a necessidade de despenalizar o aborto
pois todas as pessoas sabem que os abortos clandestinos são feitos
por pessoal incompetente e sem condições sanitárias;
mas, paralelamente, ninguém considera possível uma análise
científica destas certezas porque, pela sua clandestinidade, ninguém
sabe onde eles se fazem nem por quem! Ou seja, toda a gente sabe aquilo
que ninguém consegue estudar! c) Num artigo que o deputado Sérgio Sousa Pinto
publicou no jornal Público, em 21.1.98, pode-se ler o seguinte:
d) Um terço das complicações
e de mortes relacionadas com o aborto resultam da anestesia. Ou seja:
o aborto legal tem um perigo inexistente no sórdido aborto de vão
se escada. M Cruchter, lime 5, Life Dynamics, Denton Texas, p.268. e) O abortador clandestino tem de fazer um bom trabalho.
É que se ele fizer um mau trabalho, se matar, a família
da vítima pode denunciá-lo. Por seu lado, o médico
de hospital, no aborto legal, pode desleixar-se mais (e de fato é
isto que acontece quando o abortador começa a olhar para a mulher
que aborta como "aquela que me destruiu a carreira") e o seu
cuidado é erodido: afinal o aborto é legal e, afinal, todos
os dias lhe morrem pacientes. A mulher que morre no aborto é uma
morte mais. f) Em 1972, legalmente, fizeram-se nos EUA 586.000
abortos nos quais morreram 90 mulheres. Ou seja, morreu uma mulher por
cada 6511 abortos. Segundo o deputado Sérgio Sousa Pinto, em Portugal
fazem-se 18000 abortos clandestinos por ano, e segundo o Instituto Nacional
de Estatística, morreram em 1997 três mulheres. Ou seja,
uma morte por cada 6000 abortos. Portanto, os nossos sórdidos abortadores
clandestinos são mais competentes e trabalham em melhores condições
do que as existentes nos melhores hospitais dos Estados Unidos de há
vinte e cinco anos. 6. Outro dos pressupostos implícito no "argumento"
do aborto clandestino é a idéia de que a despenalização
do aborto acaba com o aborto clandestino. Mas que base tem esta presunção? a) aborto na Índia é legal há
25 anos e por cada aborto legal fazem-se dez clandestinos. Como se explica
isto? Quem garante que não acontecerá o mesmo em Portugal?
Relatório anual da Fundação Ford, 1995. b) "[Na Inglaterra] Logo no primeiro ano de vigência,
o de 1969, efetuaram-se 50.000 abortos legais, aos quais se haveriam de
juntar os "clandestinos", que, por diversas razões, se
continuam ainda a fazer." António Leite, Scientia Juridica,
t. XXII, nº 122-123, p.390. c) Todos os estudos que se seguem provaram que, depois
da legalização, o aborto clandestino não diminui
de forma significativa: d) Em 1984 legalizou-se -ou despenalizou-se- o aborto
para acabar com o aborto clandestino. Acabou ou não? Se acabou,
então não há aborto clandestino pelo que o argumento
não faz sentido. Se não acabou, então está
provado que a legalização não acaba com o aborto
clandestino! e) Se algumas mulheres morrerem na seqüência do aborto do seu filho de 35 semanas, isso será motivo para legalizar o aborto até às 35 semanas? Porque é que a morte num aborto clandestino, às 12 semanas, legitima a legalização do aborto até ás 12 semanas, e a morte na seqüência de um aborto às 35 não legitima a legalização do aborto até às 35 semanas? Voltamos ás linhas de separação,
não se sabe, gradualismo, funcionalismo e infanticídio.
E é verdade: se o aborto de bebês de doze semanas é
aceitável, também o de 35 é e também o infanticídio
é aceitável. f) Além do mais, este "argumento"
supõe uma enorme simplificação sociológica.
Alguém acredita que uma rapariga da província vai abortar
ao hospital da terra, quando sabe que o pai ou a prima ou a vizinha trabalham
lá? Ou quando pode encontrar nos corredores do hospital dez ou
vinte pessoas da sua aldeia? E para a rapariga se deslocar a duzentos
ou trezentos quilometros, para abortar sem perigo de ser reconhecida,
é necessário que tenha dinheiro e disponibilidade. "Por causa da falta de dinheiro, da geografia,
e da falta de abortadores, o aborto não é uma opção
para muitas mulheres pobres das zonas rurais e para adolescentes."
J. Benshoof, The New York Times, March 15, 1992. 7. É sabido que depois da legalização
o número de abortos aumenta: b) Nos EUA, antes da legalização, havia
um aborto por cada 45 nascimentos. Depois da legalização
passou a haver um aborto por cada 3 nascimentos. c) "A Rússia autorizou o aborto logo pouco
depois do triunfo do comunismo, em 1920; mas proibiu-o em 1935, dados
os perniciosos efeitos de tal lei: 74.577 abortos só em Moscou,
em 1929!". António Leite, Scientia Juridica, t. XXII, nº
122-123, p.390. d) O aborto foi legalizado no Japão em 1949,
tendo havido 246.104 abortos nesse ano. Em 1956 houve 1.159.288 e em 1969
houve 744.451. Isto significa que em 1951, 15% das mulheres em idade de
dar à luz, abortaram; em 1955 a percentagem tinha subido para 26.5%;
em 1961 estava em 40.8% e em 1969 em 37.4%. Contudo, "nestes números
não se incluem os abortos clandestinos, que continuam a ser muito
freqüentes. Por isso, vários ginecologistas que têm
estudado o assunto, e em conformidade com as suas observações,
elevam aquelas percentagens para 60 ou até 80%". António
Leite, Scientia Juridica, t. XXII, nº 122-123, p.390. e) Isto acontece pelas seguintes razões: O aborto passa a ser visto como algo aceitável:
"Estudos sobre a psicologia da moralidade revelam que a lei é
um verdadeiro guia. Uma das conclusões mais significativas desses
estudos mostra que os primeiros critérios para decidir sobre a
correção ou erro de um determinado ato, para a maioria dos
adultos numa determinada cultura, são a lei e os costumes. A maioria
das pessoas olha para a lei com um guia moral. Neste momento a lei está
a ensinar que o aborto é moral e presumivelmente uma solução
eficaz para uma gravidez não desejada. O resultado disso tem sido
a morte de milhões de crianças e de um número igual
de mulheres que são física e emocionalmente violadas, e
a compaixão da sociedade para com ambas está a ser erodida."Aborted
Women: Silent No More, David Reardon, Chicago, Loyola University Press,
1987. Quando o aborto é ilegal a mulher que não
pode engravidar tem cuidados que dispensa ou desleixa quando o aborto
é legal: Ao legalizar todo o aborto, alegando os perigos do
aborto clandestino, está-se a permitir que aborte a mulher que
abortaria ilegalmente (logo, na lógica dos pró-aborto, está-se
a proteger a saúde destas mulheres), mas está-se também
a permitir o aborto daquelas que nunca abortariam clandestinamente. Porém,
quanto a estas, não se está a proteger nada pois que se
o aborto fosse ilegal elas não abortariam. Então, que justificação
têm estes abortos? É evidente que o argumento do aborto clandestino
não se lhes aplica, pelo que estes não têm justificação.
Mas estes abortos, abortos sem justificação, podem ser dez
ou quinze vezes mais numerosos do que aqueles que o aborto clandestino
"justifica". 8. Outra das questões a esclarecer é
saber porque recorrem as mulheres ao aborto clandestino. Imaginemos que
se apurava que ao aborto ilegal só recorrem as mulheres pobres
porque não têm condições para sustentar mais
um filho. Então, a solução não seria liberalizar
todos os abortos mas somente aqueles que originam abortos clandestinos.
Além disso, esta seria só uma das soluções.
A outra seria criar condições para que nenhuma mulher se
visse obrigada a arriscar a vida por falta de dinheiro. Em qualquer dos
casos, impõem-se uma análise da questão. Que estudo
permite dizer que as mulheres recorrem ao aborto por todas as razões
para que por isso seja necessário legalizar todos os abortos? Quantas das mulheres que recorrem ao aborto clandestino
ficariam com o filho no caso de terem condições para isso?
Quantos dos abortos clandestinos não resultam
precisamente do fato de ninguém se importar em verificar se a lei
que proíbe despedir grávidas está a ser cumprida?
· Não se estará a resolver uma
discriminação de mulheres com outra ainda maior? E não
poderão as mulheres ficar à mercê dos seus patrões
que as ameaçam com a demissão caso não façam
um aborto legal? · Não será que a legislação
proposta é demasiado superficial e primária? Será
que as pessoas, com toda a sua complexidade, verificam o esquema geral
das fábricas de chouriças: "mete-se uma lei de um lado
e acaba o aborto clandestino do outro"? RESUMO O "argumento" do aborto clandestino falha
nos seguintes pontos: · Não resiste a uma comparação
com outros crimes cuja realidade também coloca em risco o infrator
(e a vítima). · Confunde conveniência com legitimidade.
Na melhor das hipóteses provaria que a medida é conveniente
para os infratores, mas deixa por esclarecer se alguém tem legitimidade
para aprovar uma tal lei. Como é evidente, o Parlamento tem competência
formal para o fazer, do mesmo modo que o Parlamento alemão podia
aprovar medidas anti-semitas, ou da forma como foi aprovada a escravatura
ou, ainda, da mesma maneira que o Governo indonésio integrou Timor.
Mas legitimidade ninguém a tinha. · Além do mais, nem sequer conveniência
existe. O argumento assume que o aborto só é perigoso quando
feito por pessoal incompetente e sem condições. Assume que
neste momento os abortos já são feitos por pessoal sem formação
médica e sem condições. Não há base
para afirmar isto e toda a evidência aponta em sentido contrário.
Assume também que nos hospitais o aborto vai passar a ser feito
por pessoal competente. Numa primeira fase assim será mas em pouco
isso deixará de acontecer a menos que os médicos sejam forçados
a fazer abortos. Finalmente, não têm em conta os perigos
do aborto legal. · O "argumento" assume que a legalização
acaba com o aborto clandestino, o que é absolutamente falso. · O "argumento", ainda que aceite
nos seus termos, só justificaria a legalização de
parte dos abortos: aqueles que seriam feitos no caso do aborto continuar
ilegal. Mas estes abortos podem até chegar a ser uma ínfima
minoria no mar do aborto legal. · O "argumento" ilude a investigação sobre as causas que levam ao aborto ilegal e, portanto, ilude as medidas justas que deveriam ser tomadas para eliminar essas causas. A mulher miserável que não vê como poderá sustentar o seu filho, recebe do Estado... um aborto! Perdeu o filho, e continuou miserável como era. |
|
voltar para o índice dos slogans
Divulgue este artigo para outras famílias e amigos.
Inscreva-se no nosso Boletim Eletrônico e seja informado por email sobre as novidades do Portal
www.portaldafamilia.org