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Falácias dos Slogans Pró-aborto 3 - O Feto é Parte do Corpo da Mulher |
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Um slogan outrora vulgar mas hoje mais esquecido diz
que: "O bebê faz parte do corpo da mulher. O aborto mata uma
parte do corpo, um parasita." 1. Com igual legitimidade se poderia dizer: "O
bebê dentro da incubadora faz parte da incubadora. Matar o bebê
dentro de uma incubadora é matar uma parte dela, matar um parasita".
2. "Um astronauta num foguetão é
parte do foguetão. E como ele precisa do foguetão para sobreviver
pode ser eliminado a gosto do dono do foguetão, tal como o bebê
dentro do útero pode ser eliminado a gosto da dona do útero."
3. A questão é que uma pessoa não
deixa de o ser pelo fato de estar dentro de um espaço limitado
de alguma forma. O astronauta é uma pessoa e os seus direitos resultam
disso. Como um astronauta não deixa de ser pessoa quando está
no espaço, não perde por isso nenhum dos direitos das pessoas.
Na lógica abortista, o bebê na incubadora é um ser
humano pessoa e por isso não-executável. Os seus direitos
resultam do que ele é e não do sítio onde está.
O mesmo se aplica ao bebê não nascido: poderá ser
morto pelo que é e não pelo sítio onde está.
E o que é ele? E porque não tem ele direito à vida?
Sobre isto o slogan diz nada. 4. Se levarmos uma célula da mãe e uma
célula do filho a um especialista em genética, ele dir-nos-á,
facilmente, que se trata de células de dois seres humanos diferentes.
Convém repetir: não é a célula de uma pessoa
e outra célula de um macaco, ou de um tumor, ou de um parasita.
Tão pouco ele dirá que são duas células do
mesmo ser humano. Nada disso: são as células de dois seres
humanos diferentes. A gravidez é uma forma diferente de pegar num
bebê ao colo. Pode-se pegar num bebê com os músculos
dos braços ou com os músculos do abdomen. Pode-se alimentar
o bebê ao peito ou por transferências através da placenta.
Mas os músculos que sustentam o bebê ou o mecanismo físico
que o permite alimentar, são eticamente irrelevantes. O que conta
é o que ele é, e sobre isso o argumento diz nada. 5. As partes do corpo da mulher não têm
todas o mesmo valor. Uma pessoa que corta as unhas a outra, dificilmente
poderia ser punida por isso, e qualquer mulher pode pedir que lhe cortem
as unhas; quem cortar um braço a outra pessoa poderá ou
não ser punido por isso e, se houver necessidade, a mulher poderá
pedir que lhe cortem o braço (para a curar de um tumor, por exemplo);
é duvidoso que um médico possa cortar um braço, a
pedido da mulher, sem que haja necessidade da amputação;
quem tira o cérebro a uma mulher será punido de certeza,
ainda que lho tenha tirado a pedido da vítima. Neste quadro, e
ainda que se aceite que o bebê faz parte do corpo da mãe,
onde se coloca o bebê? Será uma parte protegida ou será
uma parte sem proteção? É uma das partes do corpo
à disposição da mãe, uma das partes que ela
pode pedir que lhe tirem sem problemas, ou é uma parte protegida
que não pode ser tirada nem com o consentimento da mulher? Sem
esclarecer estes pontos o slogan vale nada: limita-se a tentar iludir
a questão sem lhe responder. Em primeiro lugar, reduz um ser humano
à parte de outro; e depois sugere que a mulher pode dispor dessa
parte com a liberdade com que dispõe das unhas. Ou seja, o slogan
faz duas simplificações que não consegue provar.
6. Mas ainda que o bebê fosse parte do corpo
da mulher, teria sempre de ser considerada uma parte muito especial: afinal
nenhum rim, coração ou fígado salta para fora de
uma pessoa e em poucos anos começa a escrever poemas. E será
que esta diferença não torna o bebê diferente das
unhas, do apêndice ou de um tumor? 7. Este argumento não permite justificar os
abortos por cesariana, posto que neste caso se mata o bebê quando
já não está ligado à mãe. Assim, teríamos
o absurdo máximo: pode-se matar o bebê embora nem todos os
métodos sejam aceitáveis. Ou seja, o direito à vida
resulta não do que o bebê é mas da forma usada para
o matar. Imagine o leitor que a sua vida só está protegida
no caso de o matarem com um tiro; no caso de o matarem com uma faca, o
leitor já não tem direito à vida nem a sua morte
é crime. Uma teoria curiosa! E se há alguma forma de justificar
o aborto por cesariana, porque não se usa esse argumento em vez
de recorrer a "o bebê é parte do corpo da mãe"?
8. Se tudo que se disse está errado, se o bebê for mesmo parte do corpo da mãe, e se daí resulta que a mãe o pode matar, então pode-se abortar ao longo de toda a gravidez! Logo, ou o slogan está errado, ou o aborto é aceitável durante os nove meses. Então, porque se legaliza só até ás dez semanas? Com que base se nega ás mulheres um direito seu: o direito a abortar até aos nove meses? |
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