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Falácias dos Slogans Pró-aborto 2 - Questão de consciência |
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Para muitas pessoas "O aborto é uma questão
de consciência". 1. Está em jogo saber porque podem uns seres
humanos matar outros. A isto respondem que a morte de uns seres humanos
às mãos de outros é uma questão de consciência.
Parece-lhe verdade? 2. Com igual legitimidade se poderia dizer que a uns
seres humanos é lícito escravizar outros, porque "a
escravatura é uma questão de consciência". Ou,
ainda com a mesma legitimidade, todos se poderiam alhear dos campos de
concentração alemães ou do Cambodja porque, afinal,
tudo depende da consciência dos guardas. 3. E porque podem os pais matar os seus filhos recém-nascidos?
Bom, "porque o infanticídio é uma questão de
consciência". 4. Ainda que se aceitasse que a única limitação
ao aborto fosse a consciência da mãe, o slogan não
explica porque é que o filho às 10 ou 12 semanas salta para
fora da consciência da mãe. O que lhe aconteceu para que
já a sua vida não dependa da consciência? E porque
não se aplica o mesmo às crianças que podem ser mortas,
segundo a lei portuguesa, até às 16 ou 24 semanas? 5. A consciência é tão atreita
a doenças como os pulmões ou o coração. Nenhuma
consciência deveria permitir ao seu sujeito, por exemplo, meter-se
na droga. E, não obstante, muitas consciências falham. E
é sabido que muitos criminosos, depois de muito calarem a consciência,
acabam a cometer crimes em série sem nenhum problema... de consciência.
E o recíproco também é verdade: muitas pessoas vivem
atormentadas porque a consciência as acusa de algo sem qualquer
mal. É sabido também, que no pânico, muitas consciências
podem ser amordaçadas. E é sabido que os países fazem
leis precisamente porque não se pode confiar na consciência
de todas as pessoas. De tudo isto resulta que nem remotamente existe essa
infalibilidade da consciência que os defensores do aborto lhe querem
outorgar. 6. Além do mais, está em jogo saber
quais são os seres humanos executáveis. Não se pode
dizer que se um ser humano for filho de uma mãe a cuja consciência
repugna o aborto, então esse é um ser humano não
executável; já quando a consciência da mãe
aceita o aborto, o ser humano é não-pessoa e por isso é
executável. Nos dois casos é o mesmo ser e o valor de um
não pode estar indexado à consciência de outro. Se
ele pode ser morto é por aquilo que é e não pela
consciência (que até poderá ser deformada) de outro. 7. A origem deste slogan parece estar em duas confusões.
A primeira é algo do tipo: "o aborto é mau porque é
um pecado; simplesmente, ninguém tem o direito de impor o seu conceito
de pecado, que é uma opção da sua consciência,
a terceiros". De fato, tudo isto poderia ser verdade se o aborto
fosse só um pecado. Mas no aborto uns seres humanos arrogam-se
no direito de matar outros seres humanos. Se umas pessoas chamam a isso
pecado, em nada se altera a aceitabilidade do ato e a questão continua
de pé: uns seres humanos podem matar outros ou não? 8. A segunda confusão parece resultar de uma identificação entre o ato de abortar e o ato de votar uma lei do aborto. No Parlamento existe a chamada disciplina de voto. Esta, porém, não pode ser onipotente: não pode esmagar a consciência dos deputados obrigando-os a votar algo que repugna às suas convicções. Quando os partidos entenderam que o aborto é uma questão de consciência, não se referiam ao ato de abortar mas sim ao ato de votar a lei do aborto. No último caso, dizer que era matéria de consciência foi o expediente encontrado para dispensar os deputados da disciplina de voto. Não era a formulação de um princípio que se aplicava ao aborto em si. Lamentavelmente esta distinção perdeu-se e, sem cuidar do ridículo, por todo o lado se ouve dizer que o aborto é uma questão de consciência. |
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